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Na semana do dia 03/04/2017, o desafio literário proposto por Xico Barbosa foi:

Uma pessoa acorda. Corre a mão pela cama e não encontra o outro. Debaixo do travesseiro há um bilhete. Qual o sentimento ao encontrá-lo? O que está escrito? Como ela ficou após a leitura?

Para essa semana, Xico propõe o seguinte desafio:

Escreva agora a visão do autor do bilhete. O texto deve ser baseado no texto do confrade do dia anterior.  Ana usará o texto publicado por Xico. Mangi , o de Ana. Carina, o de Mangi. Tiago, o de Carina. Julia, o de Tiago. Xico, o de Julia.


Textos publicados para este desafio:

26/06 - TEMPO

olhei para o relógio. faltava apenas uma hora para o do encontro que me tiraria de vez da solteirice.  calculei  meu tempo. joguei no waze. tudo batia. em vinte minutos chegaria no local. um banho rápido e seguro. calça jeans, chinelos limpos, dreads secos e perfume no pescoço. tudo dentro do esperado. procuro meus óculos, coloco-o no rosto e saio feliz. entre um poste e um buraco, lá estava eu. sujo e caído! meus óculos não seguraram a onda dessa vez. levantei, olhei para a placa da rua para ver onde estava. pus-me a caminhar para um lugar seguro.

já faz três meses… eu ainda solteiro. porém, depois da cirurgia, nunca mais cairei em buracos por causa  dos óculos! só ficarei torcendo para remarcar o encontro que não houve.


Desafio da Semana:

19/06 - Eu uso óculos

no ponto do ônibus, espero mais trinta minutos.
o último passou e fez de conta que nem me viu. 
e eu aqui, na esperança de chegar ainda antes das vinte. preparar o jantar e espera-la chamar pelo interfone.

quase toda vez é a mesma história. alguns não possuem o elevador, o motorista avisa que o próximo tem e pede pra esperar. eu espero o próximo e às vezes, o próximo do próximo do próximo. e mesmo quando o próximo chega, alguém de cara fechada, olha puto da vida de liberar o espaço destinado a mim, ou a outro como eu, com necessidades especiais para locomoção. 

eu sei que todo mundo está cansado. eu trocaria todo o cansaço do mundo para poder me levantar dessa cadeira. mas, infelizmente, depois daquele acidente, não posso mais faze-lo. e me resta agora, esperar o próximo para que talvez ainda consiga chegar em casa antes das vinte. 

já se passaram dois próximos. acredito que no próximo, consiga embarcar e finalmente começar a ir pra casa. 

hoje é aniversário dela. tenho tudo planejado. um jantar digno. um recital de algumas novas poesias. um garrafa vazia no final da noite, um sono bom durante a noite e um despertar sem vestes no amanhecer. 

finalmente chego em casa, após esperar uns cinco próximos. começo os preparativos e a espero com o coração cheio de borboletas, o próximo tocar de interfone dela. 


Desafio da Semana:

12/06 - Limites

"quem muito aperta, entre os dedos escapa!"
era assim que fernanda retrucava o pai quando a proibia de sair. este ficou sabendo do "estranho" relacionamento da filha única com a amiga juliana. elas estudaram no mesmo colégio. "conceituadíssimo" – diziam os pais das duas.


aliás, os pais das meninas nutriam uma amizade de longa data. se conheceram ainda nos idos de 1960, quando serviram no mesmo rancho. lá se formou a amizade que atravessou anos. as filhas se conheceram ainda bebês, nasceram na mesma maternidade e com uma pouca diferença de meses. cursaram o jardim da infância juntas, se separaram no primário, se reencontram novamente no colégio e depois cada uma seguiu sua vida. entraram na mesma faculdade. “conceituadíssima” – dizem os pais.

nos encontros do dce se reencontraram novamente. cada uma em a sua cadeira. uma humanas, já a outra, biológicas. militantes!, começaram a sair mais vezes juntas. e foi exatamente por causa da militância, que caíram no radar de um x9 milico. esse, além de dedurá-las pela causa política, também entregou o relacionamento. “unha e carne, capitão!” – delatou o milico. depois disso, a ditadura, que já assombrava o estado, chegou também mais forte em casa. 

“além de comunista, também é sapatona! a culpa é da sua, mulher! que mal dá conta da casa, não soube criá-la como mulher direita!” – bradava um. 

“juliana, como já havia te alertado, cuidado! nem todos compartilham das minhas ideias na caserna. seu nome está rodando em algumas reuniões. e até mesmo o pai da fernanda já está sabendo. creio que ela vai sofrer muito por causa disso.” – aconselhava o outro.

mas fernanda, mulher de posições fortes e beleza angelical, não desistiu. lutou e relutou com o pai. bancou o seu ideal. abraçou a bandeira, digo, as bandeiras. e de mãos dadas com as causas, juliana e liberdade, vem vencendo a batalha. o pai, já reformado, não a reconhece mais como filha. e ela, agora formada e com uma carreira brilhante, ainda sente a falta deles, pai e mãe. mas no braço da família, que junto com juliana formou, encontra o amor que lhe é negado na casa paterna. 

juliana, mulher de beleza descomunal e posições fortes, sensível a caminhada da amada, sempre ficou ao seu lado. passo a passo. conquista a conquista. com o apoio da família,  formou-se e foi morar com fernanda. em um pequeno quarto-sala no centro da cidade. agora, passado alguns anos, leva o filho todos os finais de semana para ver os avós. e juntos, fernanda, juliana, filho e avós, passeiam pelo parque da cidade esbanjando felicidade. 

fernanda, ainda acredita que um dia o pai turrão entenderá o que realmente é amar. que gêneros opostos não é o fator determinante numa relação feliz. e sim a vontade de amar, compartilhar e lutar. 


Desafio da Semana:

22/05 - Escrevendo certo por linhas tortas…

"dessa forma, ela abre as pernas e deixa a mostra a penugem ruiva que protege o prêmio. ele, louco e teso, não consegue deixar de reparar sua linda bonita… luta que caiu!“

– não é possível. sempre a mesma história. o mesmo ato. o mesmo martírio. não dá pra ser feliz! não dá! aposto que gonzaguinha estava com um maldito editor de textos, como esse, e resolveu compor. isso aqui é o inferno na terra. como ser criativo sendo reprimido o tempo todo? 

levantou-se da cadeira. tomou um ar. foi até a cozinha. serviu um café e voltou para a mesa.

– bom, como na vida, ao menos na minha, tudo é tentativa e erro… vamos ver se redigindo vai.

“dessa forma, ela abre as pernas e deixa a mostra a penugem ruiva que protege o prêmio. ele, louco e teso , não consegue deixar de reparar sua linda bonita… luta que caiu! 

– que lerda! tomar no sul! chega dessa ôla! que bonita cabeluda! pra mim já deu! paciência esgotou!

após mais um round contra o editor de textos, onde novamente perdeu por nocaute, fechou o maldito programa, abriu o caderninho e finalmente conseguiu escrever seu conto erótico sem ser censurado. 


Desafio da Semana:

15/05 - Acho que te amava, agora acho que te odeio

O desafio literário da semana é de Xico Barbosa:

A relação de amor e ódio entre você e o corretor ortográfico do seu editor de texto. Descreva essa relação.

 

 


Textos publicados para este desafio:

- CARTA ABERTA AO MEU CORRETOR ORTOGRÁFICO
16/05 - Tenho quase certeza que não somos daqui
17/05 - A resposta perfeita
18/05 - honestidade 2.0
19/05 - Corretor automático de relações
20/05 - o censor