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São Paulo, 28 de julho de 2013

Amor,

Eu deveria ter te deixado ir quando pediu minha ausencia pela primeira vez. Eu deveria ter abortado nosso amor, mesmo sabendo que isso seria um crime inafiançavel, eu deveria ter cometido perjurio diante daquele juiz de paz, que um dia abencou nossa relacao. Eu deveria nao querer tanto. Eu deveria nao querer teu abraco lento, teu beijo apaixonante. Bem que te quis, apesar de todos os caminhos, te quis. Mesmo quando todos os caminhos se fecharam e nao tinhamos muito pra onde correr, senão pros braços um do outro. Acabaram as verdades, sobraram as mentiras. De uma maneira ou de outra.

 

Mas te digo amor, basta que eu acredite que meu destino é nosso. Que todos os caminhos se voltam pra ti. Pra nossa cama. E volto a querer, a perdoar, a desejar. Esse meu desejo é uma coisa alheia a minha vontade. É maior.

 

O teu querer me faz melhor. Perto, longe. 

Nao vou pedir pra voltar, nossa estrada se cruza antes que possamos nos distanciar. 

Te amo, isso eu sempre quis. 

Me diz

6 de dezembro de 2013 - 6a.feira, Bem que se quis, Daniela Lusa

Meu bem, eu te quis.

E como eu te quis. Tentei, fiz de tudo para te fazer feliz. Desenhei meus passos junto aos seus, tracei planos que se cruzavam com os seus, tive tantos sonhos contigo mas você me acordou e isso doeu. Seu adeus me dilacerou e eu sangrei todos os dias, parecia que eu fosse morrer e não morria, eu precisava viver mas não vivia, eu queria te sentir e não podia. O que acontece com as palavras que nunca são ditas,

o que foi que eu te fiz?

E quando eu curei minhas feridas e cicatrizei suas lembranças, quando eu me refiz sem os pedaços que você levou de mim, eis que você volta e me desconstrói de novo e abre minhas cicatrizes e me faz sangrar como antes me fez e eu penso que vou morrer toda vez que você me toca, me olha, me abraça, me fala, eu quase morro,

por um triz.

Você me bagunça de um jeito que fica difícil organizar, não consigo me achar, não sei mais o que pensar. Você chega perto de mim e o seu tom me descompassa e me balança e eu tropeço nas minhas certezas que se misturam com as suas lembranças e eu caio de cara na saudade e me perco no meio da nossa confusão. E é então que eu percebo que ainda te quero, que eu sempre te quis mesmo quando eu jurei pra mim que não mais te queria, mesmo quando eu lhe disse que tudo bem, que passou, que chega, que acabou.

Te quero mais do que sempre quis.

E eu entendo que não adianta fugir porque meus caminhos são sem saída, me sinto presa a você. Quem foi que marcou no meu destino os passos seus? Não sei, moço, só quero ser feliz. E você, o que quer de mim?

Me diz, meu bem, me diz.

Daniela Lusa

"Afinal
O que ela pensa conseguir me desprezando
Se sua sina
Sempre é voltar chorando
Arrependida me pedindo pra ficar"
Matriz ou Filial – Jamelão

Belo Horizonte 01/11/2013

É meus amores, sei que  tecerão comentários infundados a meu respeito, mas a verdade é uma só: ela se foi! Novamente partiu. Deixou-me com as mãos abanando. Sem olhar pra trás, saiu pela porta da sala, pegou o elevador e desapareceu na Terra Santa.

Alguns vão dizer que não sou homem. Outros, porém, bendirão que ela não é mulher para mim. Mas a mais pura verdade, independente de que lado você esteja, é que ela se foi. Mais uma vez, ela se foi.  Agora fico aqui, sentado junto a esse balcão,  com o copo pela metade,  me embriagando e sonhando com a volta dela.

E tudo estava indo tão bem…

Tilibra —————————————————————————–(página 21)

Belo Horizonte 02/11/2013

Hoje acordei mais animado. Recebi uma mensagem dela. Disse que está arrependida, me pedindo pra voltar. Colocou até emotions mostrando que estava chorando.  Estou ficando um pouco cansado com tudo isso. Mas o que posso fazer? Será que alguém, algum dia, vai conseguir me ajudar?

Tilibra —————————————————————————–(página 22)

Belo Horizonte 04/11/2013

Ela voltou! Disse-me coisas maravilhosas. Mostrou que para sermos felizes temos que nos entregar. Já disse isso a ela várias vezes, mas mesmo assim, ela não me ouviu. Agora veio correndo. Abriu a porta e se jogou contra mim. Pesando seu corpo contra o meu. Me abraçou vagarosamente. Me beijou loucamente, e como era esperado, esqueci de tudo. Mesmo que amanhã  eu já não a queira mais. Mas já desisti de esquecer, afinal, a minha estrada corre pro seu mar…

Tilibra —————————————————————————–(página 25)

Belo Horizonte 08/11/2013

Continuamos juntos, e mesmo assim, com tantos beija-flores em nosso quarto, me pergunto: o que a vida fez da nossa vida? O que a gente não faz por amor?

Tilibra —————————————————————————–(página 29)

Eu quero sentir o seu corpo pesando sobre o meu, prendendo o meu, quero que você me algeme ao pé da cama e me segure pelo cabelo, eu quero não conseguir fugir, quero ser sua como se eu não tivesse escolha, porque eu não tenho escolha, não tive, Não adianta se defender do que já aconteceu, então eu quero ser sua presa, sua conquista, quero que você finque o mastro e a bandeira dizendo Propriedade Privada, e quero sorrir olhando sua cara de triunfo, que é também a minha cara de triunfo, porque enquanto você se vangloria não percebe que eu marquei o seu corpo, que você agora é meu escravo, que eu sou a tatuagem de uma menina feliz no seu braço, sou a ferida que nunca cicatriza no seu pescoço, sou as palavras de amor que nos prendem mais do que qualquer algema, e se o seu corpo prende o meu, se o meu corpo se marca no seu, suas palavras me cortam mais do que qualquer faca, seus textos me encantam mais do que qualquer feitiço, macumba, Trago a pessoa amada em três dias, você precisou de muito menos do que isso, você nem queria, eu também não queria, era pra ser só corpo, ou só mente, no começo parecia um encontro suave, leve, mas acabamos esbarrando um no outro e caindo, misturados no chão de um jeito que nada mais consegue organizar, você não se conforma e levanta, veste a armadura, mas quando está prestes a sair eu te olho, e a ferida no seu pescoço começa a sangrar, aí você tem que tirar a couraça e se transforma mais uma vez no menino que tanto me faz rir, e é tão bom rir, tão melhor do que pensar, que eu acabo esquecendo meu escudo de racionalidade num canto qualquer e continuamos aqui, restos do que não pensamos, espólios do nosso próprio desejo, tentando simbolizar uma história que Não cessa de não se escrever.

Carina Destempero

expoente

3 de dezembro de 2013 - 3a.feira, André Salviano, Bem que se quis

bem que eu te quis. e há quereres que se perdem no tempo, espaço. de lá pra cá tantos passos. e quem há de duvidar que naquele momento éramos apenas nós dois querendo a mesma coisa, nós dois. juntos. aquela rua de terra batida hoje está asfaltada e mesmo que queiramos voltar, o caminho já não é mais o mesmo. agora tem uma curva que não existia antes, e cismaram de mudar o nome das ruas também. não consigo lembrar de te esquecer, não consigo sequer saber onde guardei nossas memórias. o meu prazer já foi o seu maior prazer. pretérito perfeito, onde querer ser para sempre fora mais que perfeito. um dentro do outro, e que se foda aquela famosa lei da física, éramos opostos e a magnética que nos unia um dia cessou. o que que a gente não faz por amor. me pergunto e são tantas as respostas. mas que tal falarmos de presente, onde há quereres confessados, compartilhados e declarados. são tantos os particípios, às vezes me confundo, mas sem me perder. porque sei onde minha estrada de paralelepípedos vai dar. é ela, onde as rimas internas querem externar, explodir. toda essa vontade louca de não apenas sonhar na sombra.

o sol veio me avisar que amanhã também vai nascer,

e
eu
sei
que uma hora deixará de ser poente,

o amor que escrevi pra nós dois.