Archives For A deusa da minha rua

ela sempre passa!

sem olhar para trás,

deixando meu coração

em migalhas,

que até os pássaros,

mesmo que famintos, 

rejeitam com deboche.  

mal sabe ela, 

minha deusa de rosa grená,

enfeitada em suas vestes perfeitas, 

em longos vestidos de tafetá, 

que o único motivo,

dessas escritas sem fim,

é o amor que sinto.

ai de mim, 

pobre de mim,

fadado a viver,

assim.

 

Meus olhos refletidos

No espelho da mágoa

Se enchem d’água

E em desconsolo

Desando a chorar.

Onde estão seus olhos

Quando não os vejo aqui?

Em que espelho se refletem,

Que outros olhos penetram,

Você chora por mim?

Meus olhos são poças d’água

E os seus, um céu limpo sem fim.

Não quero mais ver

A rua da sua casa

Por onde passa o meu sofrer.

Vou trancar a minha rua

E o meu sentir

Aqui você não passa mais,

Em mim você já não mora.

Dani Lusa

Na rua onde moro

não mora mais amor

é uma rua cheia de corpos abandonados

que não têm mais número

nem fachada

nem cor.

ninguém entra

ninguém sai

ninguém entra e sai.

É como o coração onde moro

não tem mais luz

só um parque vazio

que não nascem abraços

nem passa rio.

As calçadas que levam até mim

são esburacadas de rancor.