Poema para dizer o que eu não consigo dizer sobre a minha mãe

4 de novembro de 2016 - 6a.feira, Daniela Lusa, Mãe

Minhas mãos ainda se encaixam nas dela.

Pena que não caibo mais no seu colo.

Seu jeito se permeia em mim.

Queria entrar no seu abraço.

E viver pra sempre assim.

 

Peço desculpas aos leitores que se iludiram com o título de meu texto buscando, talvez, um modo de também dizerem o que não conseguem. Eu não consegui escrever mais do que cinco linhas. Não porque eu não tenha o que escrever ou não queira, muito pelo contrário: eu simplesmente não consigo. É começar a pensar na minha mãe que meus olhos transbordam em lágrimas que não são de tristeza tampouco de alegria. Acho que são lágrimas de gratidão, de respeito, de admiração, de pequenez diante de toda a grandeza daquela mulher que me deu a vida. E, como se isso já não bastasse, ela ainda dedicou toda a sua vida a mim e a meus irmãos. Toda. A. Sua. Vida. Toda. Ela não viveu por si, vive por nós. Eu sei que desde que o meu irmão, o André, faleceu, ela se tornou mais frágil e, ao mesmo tempo, incrivelmente mais forte. Meu Deus. Ela continua serena, mesmo vivendo um tormento interno. Meu Deus. Que força tem aquela mulher. Minha voz se cala quando a ouço, minha vida se acalma quando ela me fala. É a voz que eu sempre vou querer ouvir.

Não disse? Eu não consigo dizer. E estou aqui com os olhos marejados de tanto querer dizer o que palavra alguma seria capaz de expressar. 

Daniela Lusa

Daniela Lusa

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Às vezes, eu não sei o que quero. Outras vezes, eu sei o que não quero. Sempre quis ser professora por sonho, hoje sou por paixão. Da faculdade de Letras, nasceu o amor pelas palavras, pelos textos. Busco fuga nas palavras porque vivo cercada pelo silêncio, aqui dentro de mim. Escrevo para não sufocar. O problema é que, às vezes, o que sinto é intransponível em palavras.

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