As ondas açoitavam a areia e eu sentia o seu silêncio fazer o mesmo comigo. Cada olhar sem palavras tinha o som do chicote estalando no lombo do cavalo que te vi cavalgar no meu sonho. Num intervalo mais ou menos constante eu insistia em tom de súplica,
 
- Fala comigo.
- Estou rezando, me deixa.
 
Eu olhava o sem fim do mar e te enxergava ali, também, quase se afogando, se debatendo em busca do ar, e era uma visão tão forte que eu precisei apertar a sua mão ao meu lado pra ter certeza de que você realmente estava ali antes de perguntar,
 
- No que você está pensando?
- Que você podia ficar quieta.
 
A sua agressividade não me doía, ao menos não como algo pessoal. A dor que eu sentia vinha do fato de conhecer a sua dor. Ela era a minha dor, também. E eu não sabia como fazer para diminuí-la. Pensei em seguir o seu exemplo e rezar, mas nunca soube como fazê-lo. E nunca quis aprender, não acredito que Deus ou seja lá o que for atenda súplicas pessoais. O meu Deus, meus santos, meus anjos, sempre foram apenas um: o amor. É pensando nisso que eu digo,
 
- Amo você.
- Eu também te amo, mas isso não alivia a minha dor.
 
Não entendia como você podia dizer algo assim. O amor sempre aliviou todas as minhas dores. Amar me faz sentir conectada com o universo. Sentada ao seu lado naquela praia quase vazia, quase sem sol, eu sentia a mesma morte e a mesma perda que você sentia, e sentia a sua dor, também. Mas, além disso, eu sentia o seu corpo colado no meu, e o milagre disso, de saber que você existia, que era um grão de areia assim como eu, e que no meio desse universo gigantesco a gente tinha se encontrado, aliviava a minha dor.
 
As palavras arranhavam a minha garganta, mas guardei-as todas. Não quis insistir em te levar por um caminho que não era o seu, preferia estar ali, parada ao seu lado o tempo que você precisasse. Desencaixei a cabeça do seu ombro pra te olhar, e você sorriu. Um sorriso ainda fraco, mas o primeiro em dias. Sorri de volta com força e pensei que se eu tivesse rezado e pedido um sorriso seu, ele não teria tanto valor quanto esse, inesperado, que me fez lembrar de Javier Velaza e daquela frase que, se eu acreditasse em orações, seria a minha: "Se nada nos salva da morte, que pelo menos o amor nos salve da vida.". Já estava sentindo minha mente se afastando de nós e se perdendo em pensamentos quando te ouvi pedindo,
 
- Me promete que vai dar tudo certo?
- Não, mas prometo que vamos ser felizes mesmo assim.
 
Carina Destempero

hoje eu vim pagar uma promessa. mas antes de falar disso, vou falar do amor que perdi antes de fazer a tal promessa.

epílogo

era uma vez um menino que sonhava com a princesa encantada, ela não viria em seu cavalo branco, muito menos numa moto… Leia Mais…

 

Qual é o pecado original? – a menina perguntava.

Os pais pediam que ela perguntasse às freiras, as freiras desviavam o assunto pro mistério dos cabelos escondidos que elas carregavam embaixo da touca, a menina ficava mesmo louca de curiosidade pra ver os cabelos das freiras e… Leia Mais…

ENGOLINDO (Marcos Bassini)

18 de outubro de 2014 - Sem categoria

primeiro engoli o choro

depois, as desculpas, a troca de olhares

                              a troca de telefones

engoli você até tarde no trabalho, o consolo à amiga inconsolável

a viagem de negócios

         engoli em seco

        engoli o orgulho

engoli como se engole um tumor na… Leia Mais…

Amor(tecido)

17 de outubro de 2014 - 6a.feira, Daniela Lusa, Eu te devoro

Madrugada, solidão. Chove. Faz uma semana que não te sinto e isso me dói em cada pedaço que carrego ainda vivo em mim. Tua ausência me faz morrer. Faz frio. Cadê a tua vida para me reviver? Minhas mãos desesperadamente buscam teus vestígios pela… Leia Mais…

O peixe morre pela boca! Já dizia o velho sábio baiano. E de tanto pensar em te comer, aconteceu o que aconteceu. Na minha mais pura inocência, vi suas curvas passando pelo calçadão. Seu rebolar era tão avassalador, quanto a paixão que me atropelou… Leia Mais…