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Você deve estar se perguntando quem eu sou. Sou Wilson Silva. O que eu tenho? Tenho 35 anos, ou poderia ter 50 ou 70, tanto faz. Tenho uma ex-mulher que me odeia e que gostaria de me ver definhando numa clínica ou na cadeia mesmo, uma filha que não cheguei a ter, um bolso sem um centavo, uma cama sem ninguém. Minha própria mãe, após todos esses anos de labuta e lágrimas, ainda esquenta a barriga no fogão, fazendo quentinhas para vender. E eu não tenho um só centavo, nem para um pingado. Filho da puta é o que eu sou! Da puta e de uma santa.

Às vezes penso que a única coisa que está pronta para me aceitar é a morte. Nada nesse mundo parece me querer ou lembrar de mim. Sabe o que eu acho dessa vida?

Vou abandonar essa ideia de escrever romances que nunca serão lidos. Vou tentar me concentrar no que quer que seja não escrever.

Sabe, Jack, sempre tive implicância com pontos ou com qualquer tentativa ou possibilidade de um fim. Sempre gostei mais das vírgulas e dos parêntesis, daquilo que se esconde atrás do pano, da página, da letra, daquilo que diz sem precisar dizer. Sempre gostei dos desvios de rota, dos atalhos que aparecem do nada, da vertigem. Quero a instalação, o acontecimento. Quero ser lido em voz alta, assim, sem parar para respirar, como um bêbado que se ajoelha de frente para o vaso num banheiro de bar, e no meio da sujeira vomita suas entranhas até virar do avesso. O avesso.

Quero ser a antítese de mim. Quero esquecer de Hemingway, quero inflacionar frases e sentidos, destruir imperativos sem me destruir. Quero problemas que caibam na vida. Quero me arriscar mais no amor e ver tudo como se fosse a primeira vez. Quero que o acaso me proteja para que eu possa sempre flutuar na distração, antes que o desejo me abandone, antes que o sexo saia pela porta da mesma forma que entrou, antes que seja tudo dinheiro, antes que o sol se ponha, antes que tudo seja antes.

 

Se eu soubesse que quando eu disse que queria te beijar pra sempre ou que eu queria sentir o peso dos seus seios sobre o meu peito eternamente, ou que eu daria um dedo meu pra parar o tempo naquele ponto em que sua respiração-hortelã-com-framboesa… Leia Mais…

Caio 
em 
um
único 
suspiro
em 
seus
pés.

De
ponta
cabeça,
rodopio
no
meu 
único
eixo.

Como
cambalhotas,
divirto
no 
espaço
dos
seu
abraço.

Sinta
o
suspiro
quando
te 
lambo

boca.

Segurança de criança está na aba da saia da mãe.
A liberdade está entre o céu e a palma da mão.
Em seus pés cairei em tentações e me renderei ao seu culto.
Segurança e liberdade! Norteio sem medo a alma até você.
Rode, menina linda, e comigo… Leia Mais…

Duas e meia da madrugada. Foram tantas as minhas quedas que já não sinto mais o corpo tocando o chão. Nem o baque eu escuto mais. Vendo tudo daqui de baixo, sou agora capaz de entender os motivos que me fizeram cair, mas eu… Leia Mais…

Toda vez que eu chego em casa a noite depois do trabalho é como se eu pudesse ouvir nossa última conversa. Eu olho pro tapete. Era bem ali no meio que eu tava quando disse pra você “volta aqui, eu ainda não terminei de… Leia Mais…

Posso me sentar aqui?, e ela esperando que o olhar cansado e o silêncio comunicassem que, Não, você não pode sentar aí, mas não deu tempo nem de completar a frase mentalmente e ele já estava sentado como se fosse o dono do banco,… Leia Mais…