Get over it

29 de setembro de 2014 - 2a.feira, Ana Suy, Locomotive

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Não entendo como você, que é como um guarda-roupa de adolescente, toda bagunçada, não permite que eu lhe ponha ordem. Eu faria um belo degradê com as suas angústias e separaria seus vazios existenciais por ordem alfabética – mas só depois que eu os preenchesse, claro. Linda, você não vê que sai dos trilhos o tempo todo? Não percebe o quão isso é perigoso? Um pouco da minha estabilidade não te faria mal, tenho certeza.

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Há que se amar muito o próprio umbigo para acreditar que eu permitiria que você ordenasse o meu caos. Estou toda bagunçada aos seus olhos, mas aos meus, a minha bagunça é muito bem organizada. Não gosto de guardar as partes de mim nos lugares óbvios. Prefiro amar com a pele que com o coração. Prefiro pensar com os olhos, que estão em contato com o mundo real, a pensar com o cérebro, que está guardado desde sempre dentro da caixa que é a minha cabeça. Sinto cheiros com os ouvidos e tenho preferido beijos de desconhecidos na boca do meu estômago, aos secos selinhos de oi e tchau que você me dá. Sei que você me ama porque quer me organizar, mas sei que não te amo porque já não quero mais te bagunçar.

 

Ana Suy

Aquele homem ali, na sua frente, se afogava. O ar não mais existia à sua volta. A enchente inundava o quarto, manchava o papel de parede embolorado, levava embora as fotografias em sépia, embaçava o espelho enegrecido, atirava no fundo da correnteza o homem… Leia Mais…

Desde que eu o perdi, nos meus olhos nunca parou de chover, mesmo que o sol já tenha ressurgido no meu céu tantas vezes depois daquela noite. Ainda conservo no peito o medo que senti ao ver a tempestade se formando nos olhos daquele… Leia Mais…

- Mais uma cachaça, João! Aqui na risca. E para de tentar de me fazer de trouxa, que estou de olho a cada copo que você coloca.

E me bate aquele arrependimento. Maldita hora que recebi seu recado. Estava indo tão bem. As coisas caminhando… Leia Mais…

Os olhos acordaram mas as pálpebras não quiseram se levantar. Sentiu-se obrigada a fazer com os dedos o que sempre fora uma simples tarefa do cérebro. Apesar do sucesso da empreitada o objetivo não foi atingido: continuava sem enxergar, via apenas nuvens de piche… Leia Mais…

ontem eu chorei, e chorei porque sou sem vergonha. prometi que você não valia mais nem uma pipoca queimada quiçá minhas lágrimas sinceras e doridas. mas é que você criou um padrão muito alto, difícil de superar, em parte porque na cama eu nunca… Leia Mais…