depois da promessa quebrada
recolheu os cacos
jogou-os no lixo
preservando um
guardando-o junto àqueles
provenientes dos silêncios
quebrados com um
Oi
do coração
partido com um
Adeus
das certezas espatifadas por um
beijo
 
juntou os remanescentes na palma da mão
esquerda
como jóias cristais diamantes
sentiu o peso de cada um
a textura
alguns pontiagudos e
outros já sem corte
corroídos
por uso excessivo
 
os ainda afiados levou à boca
um a um
degustando a cada corte o líquido
morno
tentativa pífia de recriar
o sabor amargo
da memória que ela prometera
esquecer

É muito difícil dizer adeus. A uma rua onde se cresce e se aprende a viver e da qual se sai 18 anos depois, a um colégio, onde depois de 10 anos convivendo com professores, faxineiros, porteiros, zeladores e os colegas e amigos feitos… Leia Mais…

Pedaço de nada

31 de agosto de 2015 - 2a.feira, Ana Suy, Sabor a mi

“O que você quer ser quando crescer?” perguntavam ao pequeno, como os adultos que querem conversar com as crianças, mas não sabem como, perguntam a todas as crianças.

“Astronauta”, “cabeleireiro”, “piloto de fórmula um”, “médico”, “não quero crescer”, os meninos comuns respondiam.

Mas ele, que só… Leia Mais…

 

Rádio X – capítilo XXII

Nosso ouvinte acordou velho.

Pensou se tratar de um pesadelo mas, ao se beliscar, além de não sair da realidade em que não queria se encontrar, a pele demorou a se reconstituir, normal naquela idade em que agora se via.

Estava no hospital e… Leia Mais…

Encerro esta carta antes mesmo de começá-la.

O motivo você já sabe e eu não vou repetir, não adianta lhe falar sobre meus sentimentos. Parece que não entende. Você me irrita, mas eu te amo. Por isso, nada digo.

É inútil falar sobre o que você… Leia Mais…

Acabei de acordar.

Finalmente achei meus óculos. Estão sob a mesa, junto aos estilhaços da vida de ontem. 

Passei o café, uma medida e meia, Três Corações, extra forte. O aroma sobe a escada.

Cortei o pão, feito com farinha integral. Fiz ontem, assou nessa madrugada. O… Leia Mais…