“Eu te amo…”, sussurro enquanto você me envolve em seus braços e aproxima seu corpo do meu, beija-me o rosto e eu sorrio e sinto na pele o arrepio que me faz suspirar e completar a minha fala com a voz entrecortada: “tanto”. Você não responde e então eu repito que “te amo” naquele tom de voz que só uso contigo e aproximo mais ainda meu corpo do seu, buscando no seu calor a fonte do meu existir. Deixo o silêncio suspenso no mesmo ar que enche os meus pulmões enquanto penso que talvez eu não devesse te amar tanto, que talvez eu não devesse tornar vital o que um dia poderá me faltar, que eu deveria pensar menos e sentir mais. Mas eu sinto. Eu sinto tanto. Eu sinto muito. Meus pensamentos incoerentes são quebrados pelos espasmos de quem está adormecendo e eu sinto uma angústia ocupar o meu peito e disputar o espaço que lhe reservo dentro de mim. Você não responde e eu também me calo. Quantas palavras não ditas cabem nas reticências?

O silêncio que lacra a minha voz é quebrado pela sua respiração que vai ficando cada vez mais forte, cada vez mais perto, cada vez mais dentro de mim. O ar quente que sai da sua boca toca meu pescoço e me faz arrepiar, é quando sinto que estou viva. Você expira e quase me mata, eu suspiro e tento reviver. É você que infla meus pulmões e devolve o fôlego que perco toda vez que me toca. Eu te amo com cada célula que me mantém viva. Eu te amo com cada palavra que sai de minha boca. Eu te amo com cada gesto, em cada olhar, em cada toque. Eu te amo a todo instante, em qualquer momento, por todos os dias da minha vida. Eu te amo como se minha existência dependesse também da sua respiração. Eu te amo porque preciso, eu te amo porque te amo. Eu te amo e só.

Você acorda e se afasta, eu não durmo e me reaproximo. Momentos de felicidade, a última agonia. Você não fala, eu penso. Eu não durmo. Suspiro de dor. Eu penso. Você dorme, nada diz. Digo “eu te amo…” e ouço as palavras ecoarem nas paredes de um quarto quase que vazio. “…até a morte”, completo como na letra da canção. E o silêncio sepulta a minha promessa. 

Daniela Lusa

Por você

20 de novembro de 2014 - 5a.feira, Jusqu'à la mort, Xico Barbosa

E o corpo está aberto,
Entre agora,
Sugue as feridas da alma,
Tire toda essa dor que me consome,
Transite em meus mundos,
Mude o mundo,
Deixe-me imundo por você.

Foi assim que me fiz,
Pra você,
Até a morte.

Danço,
Em seus encantos de mulher amor,
Flutuo em seus braços,
E deixo a alma esvaziar,
Em seu… Leia Mais…

Eu sei como você está se sentindo. Comecei escrevendo isso, mas a verdade é que não sei. Então, me corrijo: não sei como você está se sentindo. Mas imagino. Suponho. Uso meu conhecimento sobre você, minha própria experiência, experiências alheias que acompanhei. Por isso… Leia Mais…

amo-te,

 

como se tu fosses muito mais que predicado ou objeto. amo-te por amar, como se o verbo fosse mais que a carne que queima e só encontra sossego na tua, carne que me alimenta. deveras, amo a ti como se a mim fosse, porque… Leia Mais…

Escrito sem corpo

17 de novembro de 2014 - 2a.feira, Ana Suy, Jusqu'à la mort

Quando eu comecei a te amar

Quinhentas mulheres vieram morar em mim

E nessa eu engordei quatro quilos

Hoje eu já não sei

Sequer acho que posso saber

Se eu comia de felicidade

Ou se eu comia de angústia

 

Quando eu deixei de te amar

Mil mulheres deixaram de viver em mim

E… Leia Mais…

Linda de morrer

16 de novembro de 2014 - Exagerado, Marcos Bassini, sábado

Ela me olhando assim com cara de assustada ali em cima fica ainda mais linda e olha que ela já é linda de morrer, tanto que eu sempre dizia que ela era linda de morrer e ela dizia que ela não era assim tão… Leia Mais…