Vinte e seis músicas e um refrão repetido: eis o tempo que levo para desviar meus pensamentos de você.

 

Fixo o olhar na linha do horizonte que demarca o limite entre a água e o céu azul e sigo pedalando pelo asfalto que se estende pela frente, levando-me sempre a lugar nenhum. De soslaio, vejo a paisagem que vai mudando ao meu redor e desejo mudar também, mas meus pensamentos andam em círculo e formam um redemoinho, engolem a minha mente. O sol ao lado. 

 

Cai a tarde.

 

Sinto o vento de outono penetrando minha pele e ocupando cada espaço que carrego vago n'alma. Imensidão: eu sou um quarto vazio. A música triste que entra em meus ouvidos chega ao coração e desperta mágoas adormecidas e eu choro sem querer. Rupturas: sou um pedaço de amargura que não se encaixa. Dissipam-se as lágrimas, ficam as lembranças marcadas nas linhas do meu rosto. 

 

Quem sopra meu nome? Impressão.

 

Pedalo mais devagar porque vejo agora o lago derramado ao longo do lado esquerdo do meu peito. Nenhum barco, ninguém se mexe, ninguém me vê. E o sol poente é tão bonito. Paro, olho, sinto. As cores no horizonte se misturam e pintam a fotografia que ficará gravada apenas nos olhos meus. Ninguém mais verá. Está tocando aquela música que escolhi para ser a preferida e contemplo com um olhar de saudade esse momento que é só meu. Perfeição. Sinto saudade do que nunca vivi.

 

Meia volta, viro e volto. Meia hora, hora e meia.

 

Passo novamente pelo caminho que estranhamente já não é mais o mesmo: folhas caem e escondem os rastros que deixei pelo chão. Quisera eu poder sepultar sob as folhas os meus restos de solidão, mas ela ainda está viva dentro de mim.

 

Resquícios.

 

Tem sereno. Toca a música que me faz pensar em você, eu não quero pensar em você. Não é fácil não pensar, venho tentando desesperadamente nas últimas semanas. Em vão. Não, eu não vou pensar. Você pensa em mim? Pedalo mais depressa e pulo essa faixa na playlist. Meu namorado erradio.

 

Tudo muda ao meu redor, tudo igual dentro de mim.

 

O sol se esconde no horizonte à medida que o asfalto vai encerrando o meu seguir.

Queria também me esconder assim.

Paro, fecho os olhos, suspiro.

Olha o tempo que vira: meu refrão repetido chegou ao fim.

 

Daniela Lusa

Bailo,
Flutuo,
Pé ante pé,
Rodo
   Rodo.

Pipas plainam no ar,
Meninos correm pela rua,
Brinco seu desejar.
Flores se abrem.
Durmo em ti,
Assim,
Meu mundo.

Voz doce ao ronronar em seu ouvido.

Afago nossa alma,
De pétalas em cor,
Vai e vem que acalma.
Escrevo uma canção.
Desperta em mim,
Assim,
Teu mundo.

Beijos sedentos de amor em minha boca.

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Crianças que não olham por onde andam, adolescentes que olham outros adolescentes fingindo não olhar – e riem ao se perceberem desmascarados -, adultos que olham as crianças e lhes gritam ordens, ou que olham o smartphone enquanto o filho come areia, ou que… Leia Mais…

o tempo não está nada bom, deve vir chuva. 

caminho pela praia sozinho, sempre achei que praia era lugar de gente, de muita gente, mas estou adorando a praia vazia, venta muito, mas o som do vento é coadjuvante, o mar fala mais alto, com… Leia Mais…

Quando tudo

23 de março de 2015 - 2a.feira, A ostra e o vento, Ana Suy

Quando tudo faz silêncio

Você é a sensação de que alguém diz meu nome

Eu escuto, mas não vejo

 

Quando tudo é escuridão

Você é o contorno da janela

Não ilumina, mas me faz saber que enxergo

 

Quando tudo é claridade

Você se torna obscuro

Não faz os olhos doerem menos, mas… Leia Mais…

 

Capítulo V -  Vagabundo Não é Fácil

 

O nosso ouvinte de hoje não ligou, pediu que ligassem, não saberíamos dizer como conseguiu mexer o maxilar para fazer isso, mas aí está, você já escuta ao fundo a música que ele gentilmente oferece, ainda que eu… Leia Mais…